É incrível como encontramos sabedoria nas pequenas coisas. Não só nas pequenas coisas mas também nas que consideramos desprezíveis. Não apenas nas desprezíveis mas também naquelas que muitos consideram condenáveis.
A música “Na Sua Estante”, interpretada pela compositora e cantora Pitty, inicia com a frase: “Te vejo errando. Isso não é pecado, exceto quando faz outra pessoa sangrar.” E esta frase pode ser usada para ilustrar um princípio crucial do Reino de Deus.
Você já deve ter ouvido a expressão: “Todo pecado é um erro mas nem todo erro é um pecado.” Muitos conhecem a máxima. No entanto, quero ir um pouco mais profundo no entendimento desta, conforme vamos avançando neste artigo.
1. Como entender o pecado?
Em um determinado evento, ouvi o seguinte argumento: “Quem aqui corta o sinal? Eu já cortei. Vamos parar de pecar!”
Pecar? Como assim? É claro que avançar o sinal vermelho é um erro. Mas para que esse erro seja considerado pecado é preciso observar outros critérios. Um dos critérios é a própria consciência e motivação do infrator. Eu não sei se você já percebeu, mas tropeçar em uma pedra ou passar um troco errado por descuido são erros, não quer dizer que são pecados.
Dependendo do contexto, avançar o sinal vermelho pode ser um pecado. Mas sem a análise da situação de uma forma geral e aplicada, esta infração gravíssima de trânsito é apenas um erro. Nada além disso! Para falar a verdade, se você chegar até o final deste artigo e compreender perfeitamente o que ele propõe, preocupar-se sem motivos claros de saber ou não quem pecou será totalmente desnecessário e salutar.
1.1. Mas, o que é o pecado?
Errar o alvo. Esse é o significado da palavra pecado. O que acontece é que muitos confundem este termo. Pensam que o “alvo” é algo subordinado a um conjunto de letras do tipo “posso e não posso”.
No entanto, as “letras” que Deus nos deixou trazem algo muito mais sublime e que esteve oculto nos dias do Antigo Testamento. Mesmo depois de Jesus ter vindo ao mundo para cumprir, orientar e dar exemplos de como lidar com estas “letras”, ainda hoje se mantém incompreendidas pela maioria.
1.2. Qual a medida do pecado?
Quando o assunto é pecado sempre faço a pergunta: Qual a medida do pecado? Julgo que esta pergunta nos leva a compreender muito bem o assunto.
Veja. Quando falamos de “medida”, pretendemos descobrir um limite mínimo e máximo para algo. Ao contrário do que se pensa de pecado, esta palavra ilustra melhor a definição. Esta palavra aqui é a expressão de perguntas mais específicas como: Qual o critério do pecado? O que caracteriza o pecado?
Posso dizer que “acertar o alvo” é o contrário do pecado. Mas o que precisaríamos entender e compreender é a definição do que é esse “alvo.” Saber disso muda todo o sentido do assunto em questão. Entretanto, já podemos adiantar algo óbvio: o “alvo” é a Vontade de Deus.
1.3. Como o “alvo” deve ser entendido?
Temos ciência de palavras da Lei como: “não matarás” ou “não cometerás adultério”. Comumente falando, este entendimento nos remete ao razoável e óbvio pensamento: se eu cometer adultério ou matar, então errei o alvo. É notório que esse pensamento está correto. Se você cometer adultério ou matar alguém estará pecando, estará errando o alvo que Deus deixou.
O problema é quando olhamos apenas para a imposição de não cometer adultério ou matar esquecendo do fator humano e interno. Olhamos para o efeito do ato e não para a causa do ato. Olhamos de fora para dentro e não de dentro para fora, como deveria ser.
Olhar apenas o resultado negativo do ato nos torna seres humanos cruéis, vingativos e sem misericórdia. Olhar de fora para dentro cega o entendimento de ter a visão real do ser humano. Assim somos passíveis de estar “errando o alvo” também, somos passíveis de cometer pecado. Não está entendendo? Continue.
1.4. Qual é a Vontade de Deus?
O que é preciso entender é a motivação de Deus deixar estas leis. Esta motivação e essência é o ser humano: você, eu e todos. Esta motivação e essência constitui a Vontade de Deus, o alvo que devemos acertar.
Temos consciência de existir. Temos vontades, desejos e prioridades pertinentes a nós mesmos. Daí em diante, tomamos consciência de que outros seres humanos também existem. Assim como você, eles tem suas próprias vontades, desejos e prioridades.
Fica fácil entender. Você quer o seu bem? Acharia ruim se alguém ferisse seu direito de viver? Gostaria de ajuda? O que você precisa agora é desejar o mesmo bem para o seu próximo, não ferir o direito dele de viver e até mesmo ajudar. Assim você se torna lei em sua consciência. Assim passa a amar ao próximo como a si mesmo.
A maior faceta da Vontade de Deus revelada em Cristo é que nos amemos uns aos outros. (Jo 13.34) Este alvo que precisamos acertar é de onde deriva toda a Lei de Moisés. Se pararmos para pensar melhor, existe apenas uma lei. A lei do amor se mostra em várias subdivisões como: “não matarás” ou “não cometerás adultério.”
1.5. Quer mais do mesmo na Vontade de Deus?
Se você acha que estou muito focado em amar o ser humano e omitindo o amar a Deus sobre todas as coisas, saiba que tenho motivos para isso. Discorrer sobre esses motivos no momento sairá do foco e a leitura se tornará extensa. Mas entenda o mesmo que expus acima por outro ponto de vista.
Você acha que Deus quer o seu bem e se importa com você? Muito bem, Ele se importa e quer o bem do seu próximo na mesma quantidade e qualidade que a você. Lembrando que este próximo pode ser o seu inimigo.
Se quer amar a Deus então deve buscar amar ao seu próximo, visto que Deus o ama incondicionalmente. Se Deus o ama incondicionalmente assim como a você, qual acha que é a Vontade dEle?
1.6. E qual a resposta da pergunta?
O pecado é “errar o alvo.” O “alvo” é a Vontade de Deus. A Vontade de Deus revelada em Cristo Jesus é que nos amemos uns aos outros de tal forma que amar a Deus sobre todas as coisas tenha relevância. Qual a resposta para esta equação simples? A medida do pecado é o próximo!
Em verdade, se analisar muito profundamente, você só conseguirá amar a Deus sobre todas as coisas tendo como ponto de partida amar ao seu próximo. No popular eu diria: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.
“Te vejo errando. Isso não é pecado, exceto quando faz outra pessoa sangrar.”
2. Qual a consciência de João?
No amor, não há temor; antes, o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor. Nós o amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém di: Eu amo a Deus e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também seu irmão.
(1 João 4.18-21)
2.1. O que você pensa fazer para Deus é o mesmo para seu irmão?
João ratifica o entendimento que vem sendo desenvolvido aqui, principalmente no final, quando conclui: “…quem ama a Deus, ame também a seu irmão.”
Veja que amar a Deus está intimamente ligado a amar ao seu próximo. Isso quer dizer que se você não ousa falar mal de Deus, deveria fazer o mesmo com seu irmão. Se ainda não entendeu vou esclarecer: Nós vemos e interagimos com Deus através de pessoas.
Acaso não foi isso que Jesus exemplificou quando deixou os ensinamentos a seguir? Qualquer que desse um copo com água para um de seus discípulos jamais perderia sua recompensa. (Mt 10.42; Mc 9.41) Ou mais ainda: qualquer que desse mantimento, bebida, guarida, roupas, cuidados de saúde e visitas prisionais a uns de seus pequeninos estaria fazendo a Ele. (Mt 25.31-46) Pare um pouco e reflita. Se você fizer algum destes sangrar, o que estará fazendo?
2.2. É mentiroso quem não ama ao próximo?
Mas o verso anterior é mais incisivo e específico ainda: “quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” De certo, o apóstolo do amor vai bem longe quando classifica de mentiroso todo aquele que não ama a seu irmão e diz amar a Deus. Pergunto: consegue me dizer, com base, algum outro tipo de pecado que não seja relacionado a pessoas?
Sinceramente, eu seria um pouco menos contundente que João. Consideraria o que vejo hoje. As pessoas foram cegadas e não tem esse conhecimento que está sendo passado aqui. Não classificaria como mentiroso, classificaria como enganado. Existem muitos “enganados sinceros” e este material é principalmente para eles. Entretanto, mentiroso é o que está registrado na Primeira Carta de João e assim o transcrevo aqui.
2.3. Você tem medo ou coragem de amar?
Mas tem algo maravilhoso nesta carta que merece atenção especial, apesar de não ser diretamente o contexto: “No amor, não há temor; antes, o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.”
A Lei de Moisés foi apenas uma medida paliativa e que trazia consigo o medo da punição: “…porque o temor tem consigo a pena…” Não há medo no amor. Qualquer que se proponha a amar ao próximo e consequentemente a Deus o faz com o coração cheio do que é de mais necessário para tal feito: ter coragem.
Por favor, não entenda mal, mas é muito fácil e simples amar coisas, plantas e animais. Estes não falam, não tem raciocínio, não ferem suas emoções de forma consciente. Não devemos deixar de amar estes. Mas os seres humanos são maus por natureza, não são totalmente fiéis e tem uma tendência natural de fazer você sangrar. Todavia, aqui reside a “coragem de amar”.
Claro que seria maravilhoso se as pessoas amassem de forma natural, consciente e sem resistência. Infelizmente pelo pecado, não é assim que o mundo gira. Porém, quando desenvolvemos a coragem estamos atingindo um patamar mais alto, uma vibração mais sublime movida pelo amor de Deus em Cristo. Todo o medo é lançado fora e seguimos livres para amar.
Por enquanto, nos encorajamos de livre escolha a seguir nesse amor da Mente de Cristo. Amar dessa maneira nos traz marcas por vezes dolorosas. Entretanto a satisfação, paz e alegria são indescritíveis. Além do mais, amar é um depósito cheio da rica esperança de recompensas maiores aqui e na eternidade.
2.4. O autor é réu confesso da falta de amor
Quero deixar minhas considerações pessoais aqui, segundo minha consciência. Sei que é preciso ter coragem para amar de forma verdadeira. Não sou hipócrita em dizer que pratico fielmente este amor, como minha mente em Cristo diz que eu deveria.
Olho para o meu passado e vejo como fui pecador e continuo sendo. Tenho marcas amargas como o fel, arrependimento de um passado negro. No entanto, algumas questões tenho em meu coração para compartilhar de forma pessoal com você. Retenha se achar bom e agradável.
O Senhor Jesus veio ao mundo para que eu jamais me sentisse culpado pelo que já fiz, pelos meus pecados. A culpa é tão desgraçada para nós que Jesus foi enviado ao mundo para retirá-la. O que acontece conosco após ter pecado são as consequências de vivermos dentro deste corpo e em sociedade. Em minha mente tenho a firme convicção de que fui perdoado, não apenas no meu passado mas todos os dias. Creio e sigo com esta convicção. Sugiro que faça o mesmo!
Ciente de que estou perdoado todos os dias e a culpa não precisa se instalar em minha mente, sinto liberdade para andar nesta maravilhosa consciência de Cristo. Guardo Suas palavras em meu coração para não errar novamente e curar gradativamente as feridas deixadas pelos meus próprios pecados. Sofro e entrego as consequências em Suas Poderosas Mãos com a esperança de receber misericórdia e força para suportar. Mas a acusação e a culpa em meu interior jamais deixo que se instale. Sugiro que faça o mesmo!
Com liberdade interna e formação de consciência em Cristo todos os dias, me estimulo a ter esta coragem para amar. De certo, propus em minha vida aprender sobre três palavras: fé, esperança e amor. Por isso o nome “CAFE do Reino”.
Sei que amar é um treinamento e construção diários. Sei também que existem níveis e que jamais devemos julgar ou condenar o nível do próximo. O importante é que cada um tenha no coração o buscar, aprender e se esforçar o máximo com alegria e paz.
Com esperança e fé, mesmo sabendo que não consigo como deveria, sigo em buscar, aprender e praticar este amor. E se não tenho sucesso? Pelo menos que eu não atrapalhe ou faça alguém sangrar. Sugiro que faça o mesmo!
“Te vejo errando. Isso não é pecado, exceto quando faz outra pessoa sangrar.”
3. Qual a visão de Tiago?
Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis. Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redarguidos pela lei como transgressores. Porque qualquer que guardar toda a lei e tropeçar em um só ponto tornou-se culpado de todos. Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu, pois, não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei. Assim falei e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade. Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa sobre o juízo.
(Tiago 2.8-13)
3.1. Lei ou tábuas de carne?
Se tomarmos o texto de Romanos 10.4 isoladamente, ele afirma: “…o fim da Lei é Cristo…” Alguém pode supor que realmente a Lei deixou de existir e qualquer um pode fazer o que quiser sem receber as devidas consequências. Mas a Lei, assim como a graça, sempre existiu e apenas foi registrada em forma escrita no Antigo Testamento para cumprir algumas funções.
De certo, a Lei entrou em caducidade. Mas observe a porção de Tiago não extinguindo a Lei. Tiago mostra a forma correta de ver a Lei. No Antigo Testamento se valia o que está escrito e então vinha a condenação. Mas hoje a letra não tem força de lei, por assim dizer. Tiago exprime a Lei que está no coração de cada um de nós. Assim como todo o ensinamento de Jesus, a visão é sempre de dentro para fora.
A punição da Lei foi extinguida no meio físico, dentre outras questões. A Lei morreu em Cristo. O que ela traz de mais sublime é o que permanece e sempre permaneceu: a inscrição nos processos internos do ser humano. Melhor expressada por Paulo como “…tábuas de carne do coração.” (2 Co 3.3)
3.2. Lei Real ou Lei da Liberdade?
Desta forma, Tiago contrasta a Lei com o que ele chama de: Lei Real. Segue expondo que “não matarás” ou “não cometerás adultério” são apenas extrações aplicativas de um todo, a Lei Real: “amarás a teu próximo como a ti mesmo.”
Esta Lei Real tem ligação íntima com a expressão “Lei da Liberdade.” Esta “liberdade” é semelhante ao que ele mesmo diz no verso 4 do mesmo capítulo: “porventura não fizestes distinção ‘dentro de vós’ mesmos e não vos fizestes ‘juízes de maus pensamentos?'”
A Lei da Liberdade mostra como o ser humano está realmente livre hoje. Está livre para errar e acertar. Está tão livre que nos juntamos em sociedade e formulamos leis para nós independente da Lei de Deus mas que no fim, acaba seguindo para ela. O ser humano tem liberdade real de escolha segundo a sua consciência. A questão é: Em “que” ou em “quem” é formada a sua consciência? Nossa consciência é formada pela mente de Cristo.
Desta forma, operamos pela Lei da Liberdade eficaz e agradavelmente. Assim seguimos livres para amar ao próximo com a nós mesmos. Nos tornamos lei para nós mesmos. Nos tornamos juízes de nossos bons ou maus pensamentos: “…vos fizestes juízes de maus pensamentos?” (Tg 2.4b) Paulo complementa: “Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida.” (1 Tm 1.5)
3.3. Um triunfo da misericórdia?
Ademais, Tiago vai tão fundo nesse conceito que afirma: “Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa sobre o juízo.” Não é foco deste, mas vou deixar alguns parágrafos sobre o tema.
Nos tornamos Lei para nós mesmos. De acordo com nossa consciência formada em Cristo, nos despojamos do medo e seguimos livres para pensar, sentir e decidir. O que plantamos é o que colheremos. Se temos misericórdia é misericórdia que colhemos aqui e na eternidade.
Agora pare e pense. Se somos Lei para nós mesmos, julgamos a nós mesmos. Assim o juízo é desnecessário. Decidimos ter o mesmo convertido em misericórdia para com o próximo. Mais uma vez, o juízo é desnecessário. Entrão triunfamos aqui e na eternidade. Continue pensando. Se pergunte como seria se fosse o contrário? Se não julgamos a nós mesmos, quem deve nos julgar?
“Te vejo errando. Isso não é pecado, exceto quando faz outra pessoa sangrar.”
4. Qual o entendimento de Paulo?
Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros.
(Gálatas 5.13-15)
Em meio a uma árdua exposição sobre Lei e Graça, Paulo nos traz uma conclusão semelhante e harmônica com Tiago e o exposto até o momento: “…toda a Lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Diante desta claríssima declaração, os comentários seriam até dispensáveis.
4.1. Mais liberdade?
Gostaria de insistir mais no mesmo. Começando pelo que Paulo nos diz que fomos chamados: “…fostes chamados à liberdade. Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor.”
Analise com atenção, cuidado e carinho: “…Não useis, então, da ‘liberdade’ para dar ocasião à carne…” Temos tanta liberdade em Cristo que precisamos nos vigiar constantemente para não pecar. Não se trata mais de “não pode isso” ou “não pode aquilo”.
Temos liberdade de coração e consciência desperta o suficiente para saber que amar a Deus sobre todas as coisas consiste também em amar ao próximo como a si mesmo. Fazemos desta liberdade em Cristo uma ferramenta para isso. Assim não precisamos agir apenas por imposições com nossos corações longe de Deus e do próximo.
4.2. Mais do mesmo?
Dentro desta liberdade, Paulo deixa explícito que a Vontade de Deus é que nos amemos uns aos outros. Ele registra esta mesma visão e entendimento nas seguintes palavras: “…mas servi-vos uns aos outros pelo amor.” Do contrário mas no mesmo princípio, exorta: “Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros.”
Brigas e contendas geram pessoas que sangram. Pessoas sangrando geram mais brigas e contendas até um ápice de serem consumidos, sangrando a todos. A teia do pecado está armada e arrebanhando vítimas.
“Te vejo errando. Isso não é pecado, exceto quando faz outra pessoa sangrar.”
5. Qual o ultimato do Mestre?
Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.
(João 13.34)
5.1. Verdadeiro Novo Mandamento?
Por último das passagens do Novo Testamento e com certeza a mais importante. Ficamos com um dos poucos mandamentos diretos de Cristo para todos os que se propõe a serem Seus seguidores.
Jesus confrontou severamente os mestres da lei, as autoridades religiosas da época. Estes se valiam de leis e tradições para ter lucros, oprimir e matar o povo. O próprio Cristo foi um destes a ser morto em nome da Lei e tradições.
Ao contrário destes líderes, o Mestre veio e cumpriu a Lei em sua totalidade. Como Ele fez isso? Jesus tinha a Lei Real em seu coração constantemente. A Lei de Moisés deriva desta Lei Real.
Cristo nos traz a Lei da Liberdade de nossa consciência para buscar e exercer esta Lei Real. Mostrou a todos que é possível viver por esta Lei inscrita em nossos corações e consciências. Amar a Deus sobre todas as coisas é alcançado tendo como ponto de partida amar ao próximo como a si mesmo. Por isso Jesus nos dá um Novo Mandamento: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.“ (Jo 13.34)
5.2. Quando o erro é pecado?
Toda a plenitude da Vontade de Deus para o homem, bem como Seu Poder (Mt 28.18) está em Cristo. Vimos que “errar o alvo” é fazer o contrário da vontade de Deus. O pecado é errar a Vontade de Deus. Logo, um erro é apenas pecado quando fere a Vontade de Deus. Se Cristo tem toda a plenitude da Vontade de Deus e deixou o mandamento: “…Que vos ameis uns aos outros…”, (Jo 13.34) então esta é a Vontade de Deus.
O que se pode definir por pecado então? O erro de não amar uns aos outros. Parafraseando a máxima: O erro nem sempre é pecado. Mas o pecado é sempre um erro que fere, de alguma forma ou intensidade, a si mesmo ou o próximo. O pecado está ligado a deixar de amar ao próximo.
Simples, não acha?
“Te vejo errando. Isso não é pecado, exceto quando faz outra pessoa sangrar.”
6. Pensa que esqueci da música?
A frase inicial da música da Pitty contém um princípio pouco entendido hoje em dia. O intuito não é fazer apologia ao restante da letra e nem mesmo analisar o seu conteúdo. Mas a ideia deste artigo surgiu a partir desta frase inicial.
6.1. Homem Espiritual?
A “medida do pecado” é o próximo. Errar nem sempre é pecar mas pecar sempre vai ser um erro. O que precisamos ter consciência é o fato de que o pecado está ligado ao ser humano. No momento em que você fere alguém ou a si mesmo, estará pecando.
O Homem Espiritual tem a Lei Real inscrita em seu coração e consciência. Esta consciência precisa seguir bebendo as águas do evangelho para formação da Mente de Cristo. Assim caminhamos amando e deixando de sangrar as pessoas. A mensagem de Jesus tem como principal base o que ele cumpriu e sintetizou em: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.“ (Jo 13.34)
6.2. Então o pecado não é o que costumam falar?
Desta forma, o pecado não está relacionado com o que qualquer pessoa ou grupo social entendeu e impôs como sendo. O pecado é errar o alvo de Deus. O alvo é a Vontade dEle revelada e totalizada absolutamente em Cristo. O pecado é mais espiritual do que físico.
Pergunte a si mesmo: gostaria ao menos de imaginar como ficaria sua família se você fosse assassinado. Gostaria de morrer? A mesma pergunta se faz quanto ao próximo. Ele gostaria de morrer, isso seria bom para a família dele? E seu cônjuge, qual a dor que sentiria se soubesse que foi traído? Então não cometa adultério para que outros não se machuquem. Gostaria de ser roubado? Não roube. Gostaria de ser injustiçado? Não dê falso testemunho. Já entendeu, certo?
6.3. Lei de Moisés x Lei Real?
Escrevi este fazendo alusão ao Antigo Testamento, visto que a maioria já está acostumada com este tema. Aproveitando, gostaria de reforçar mais ainda este contraste entre a Lei de Moisés e a Lei Real.
A Lei de Moisés tem o principal foco em “não faça isso” ou “não faça aquilo” seguido de punição pelo não cumprimento. Ela traz a mensagem: “não peque” ou “não faça o mal.” Já a Lei Real não se limita a um simples e remido pensamento. A Lei Real é ampla e clara, ela diz: “ajude e faça o bem, ame! Assim você deixa de pecar e vai além, seguido de recompensa.”
De certo, é este pensamento que Jesus deixou quando disse: “…se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.” (Mt 5.20) Se você compreendeu muito bem o entendimento explanado neste artigo, com certeza vai poder entender esta porção do texto na íntegra. Este conteúdo procura ser totalmente harmonizado com ele. Não vou explicar, vou deixar que você mesmo faça esse exercício relendo esse material, se for o caso.
Não cuideis que vim destruir a lei e os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.
(Mateus 5.17-20)
Tiago entendeu muito bem este princípio, pois declara: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado.” (Tg 4.17) Esta mensagem é de longe mais nobre e completa que o parcial “não peque.” A Lei Real está intrínseca aqui.
6.4. Você entendeu a essência?
Quando entendemos a essência e a motivação da Lei ao ditar desígnios como “não faça isso ou aquilo”, ficam o registro e a punição desnecessários. Amar ao próximo como a nós mesmos é a Lei Real que deve estar inscrita em nossos corações e mentes. É a Lei do amor e liberdade. O registro na pedra gera punição, o registro no coração gera recompensa.
Parafraseando a música: “Observo você. Estou vendo errar e isso não é pecado. Mas se de alguma forma estiver fazendo outro ser humano sangrar, saiba que está pecando.
“Te vejo errando. Isso não é pecado, exceto quando faz outra pessoa sangrar.”
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